Doenças crônicas e muitos remédios: como cuidar com segurança (para idosos e familiares)
Muitas pessoas convivem bem por anos com hipertensão, diabetes, osteoporose, colesterol alto, asma/DPOC, artrite/artrose ou problemas do coração. O desafio aparece quando, além da doença em si, surgem vários remédios ao mesmo tempo (polifarmácia). Isso pode gerar confusão, efeitos colaterais e até interações perigosas — e muita gente acaba achando que “é coisa da idade”, quando na verdade dá para ajustar e melhorar.
O que costuma dificultar no dia a dia
1) Esquemas complicados
- Remédio de manhã, outro à noite, outro “em jejum”, outro “depois do almoço”.
- Trocas de marca/genérico que mudam a aparência do comprimido.
- Uso de colírios, insulina, inaladores ou gotas, que exigem técnica.
2) Interações e efeitos colaterais
Quanto mais medicamentos, maior a chance de:
- Tontura, sonolência e risco de quedas
- Pressão muito baixa, fraqueza, desmaios
- Azia, náusea, constipação ou diarreia
- Inchaço, cãibras, alterações de glicemia
- Confusão mental, falta de atenção, piora do sono
Às vezes, o efeito aparece e a pessoa pensa: “estou ficando velho”, mas pode ser reação a remédio ou mistura inadequada.
3) Falta de acompanhamento regular
Consultas espaçadas e exames atrasados dificultam:
- ajustar dose,
- retirar o que não é mais necessário,
- identificar efeitos indesejados,
- alinhar orientações de médicos diferentes.
Dúvidas e mitos comuns (e como entender)
“Se eu me sinto bem, posso parar o remédio?”
Não por conta própria. Muitas doenças crônicas podem ficar “silenciosas”.
Exemplo: pressão alta e diabetes podem não dar sintomas, mas continuam causando danos.
O certo: conversar com o médico para avaliar redução, troca ou retirada segura.
“Vitamina e fitoterápico são sempre seguros.”
Mito. “Natural” também pode ter efeito forte e interagir com remédios de pressão, diabetes, anticoagulantes, antidepressivos, entre outros.
O certo: informar ao médico/farmacêutico tudo o que usa (inclusive chás, suplementos e “gotinhas”).
“Dor é normal da idade.”
Não. Dor persistente (coluna, joelho, quadril, ombro) tem causa e tratamento.
Ignorar dor pode levar a menos movimento, perda de força e mais risco de queda.
O certo: avaliar a origem da dor e combinar tratamento + exercícios adequados.
“Não adianta mudar hábitos depois de velho.”
Mito. Mudanças funcionam em qualquer idade:
- caminhar e fortalecer melhora equilíbrio e pressão,
- alimentação ajustada ajuda diabetes e colesterol,
- parar de fumar melhora pulmão e coração,
- dormir melhor e reduzir álcool ajudam memória e humor.
Dicas práticas para usar remédios com mais segurança
Para o idoso
- Tenha uma lista atualizada com nome do remédio, dose, horário e motivo.
- Use caixinha organizadora (semana/manhã/noite) e alarme no celular.
- Não “empreste” remédio e não use indicação de vizinho/parente.
- Se notar tontura, muita fraqueza, confusão, queda, sangramento, falta de ar, procure avaliação.
Para familiares e cuidadores
- Leve a lista de remédios em toda consulta (ou foto no celular).
- Peça ao profissional para “falar simples”: para que serve, como tomar, o que observar.
- Verifique se a pessoa consegue ler rótulos e abrir embalagens.
- Observe sinais de alerta: sonolência excessiva, esquecimentos fora do normal, instabilidade ao andar.
Uma prática que ajuda muito: “revisão de medicamentos”
A cada alguns meses (ou após internação), vale solicitar uma revisão completa com médico e/ou farmacêutico:
- o que é indispensável,
- o que pode ser reduzido,
- o que está repetido,
- o que pode estar causando efeitos colaterais,
- como simplificar horários.
Viver com doenças crônicas não significa perder qualidade de vida. Com acompanhamento, organização e ajustes inteligentes, é possível ter mais bem-estar, segurança e autonomia — com menos medo e mais controle.

Cuidar da saúde na terceira idade pode parecer complicado, mas dá para organizar e melhorar. Cada remédio tomado corretamente, cada dúvida tirada com o médico e cada pequeno ajuste de hábito é um passo a favor de mais bem-estar.
Se aparecer tontura, fraqueza ou confusão, não é “só idade”: pode ser efeito ou interação e tem solução. E nunca pare remédio sozinho — pedir orientação é força, não fraqueza.
Um dia de cada vez, com humor, informação e apoio, o tratamento fica mais leve — e a vida mais segura.