“Ainda Tem Lenha na Fogueira”: Sexualidade na Maturidade Sem Tabu, Com Respeito e Informação

Por que vale a conversa

Sexualidade não tem “data de validade”. Ela faz parte da saúde e do bem-estar em qualquer idade — e pode significar muitas coisas: carinho, intimidade, prazer, autoestima, companheirismo e conexão. Às vezes envolve relação sexual; às vezes envolve só afeto, conversa, toque e presença. Falar do assunto com respeito ajuda a diminuir a vergonha, melhorar os relacionamentos e facilitar o acesso a cuidados de saúde quando algo incomoda.

O que pode mudar (e o que continua)

Com a idade, é comum o corpo e a rotina mudarem. Podem aparecer:

  • Menopausa e ressecamento vaginal
  • Mudanças na ereção
  • Quedas de libido em alguns períodos
  • Dor, cansaço e doenças crônicas
  • Luto, separação ou novos relacionamentos
  • Efeitos de medicamentos (como antidepressivos e remédios para pressão)

Mas isso não significa “fim da sexualidade”. Na prática, muitas pessoas só precisam ajustar o ritmo, mudar a forma de intimidade e, quando necessário, buscar orientação profissional. Afeto, desejo e vontade de pertencer continuam existindo.

Mitos que atrapalham (e a realidade)

  • “Idoso não tem desejo.” Desejo varia de pessoa para pessoa. Muita gente continua interessada e ativa na maturidade.
  • “Sexo é perigoso na velhice.” Na maioria dos casos é seguro. Se houver problema cardíaco, dor forte ou falta de ar, vale conversar com o médico para ter segurança.
  • “ISTs não acontecem com idosos.” Acontecem, sim. Prevenção e testagem são importantes em qualquer idade.
  • “Disfunção é normal e não tem solução.” Algumas mudanças são comuns, mas existem caminhos: ajuste de remédios, tratamentos, lubrificantes, fisioterapia pélvica e terapia sexual.

Organizações como a OMS reconhecem a sexualidade como parte da saúde. Mesmo assim, estudos e sociedades de geriatria apontam que o tema ainda é pouco falado nos serviços — e isso alimenta desinformação e sofrimento desnecessário.

As dificuldades do dia a dia

Na família: piadas, tabus e infantilização (“isso não é coisa pra você”) podem calar a pessoa idosa. Em situações de dependência, pode haver controle excessivo, mesmo quando há autonomia e consentimento.

Na comunidade: etarismo, medo do julgamento, solidão e dificuldade de conhecer pessoas (inclusive para pessoas LGBTQIA+) atrapalham novos vínculos.

No consultório: muitos profissionais não perguntam e muitos pacientes têm vergonha de falar. Resultado: falta orientação sobre dor, lubrificação, disfunção erétil, ISTs, efeitos de medicamentos e saúde emocional.

O que ajuda (bem prático)

  • Família: respeitar privacidade, evitar julgamentos e apoiar autonomia. Sexualidade tem a ver com dignidade e consentimento.
  • Pessoas idosas: conversar com o(a) parceiro(a), usar preservativo quando indicado, considerar lubrificantes à base de água ou silicone e procurar ajuda se houver dor, sangramento, sofrimento ou perda de desejo persistente.
  • Saúde: pedir espaço para o tema na consulta. Um ajuste simples pode mudar muito a qualidade de vida.

Perguntas para levar ao médico

  • “Meus medicamentos podem afetar desejo ou ereção/lubrificação?”
  • “Sinto dor: o que pode ser e quais opções de tratamento?”
  • “Quais exames e vacinas ajudam na prevenção de ISTs nesta fase?”
  • “Há sinais de alerta que exigem avaliação rápida (sangramento, dor intensa)?”
  • “Existe fisioterapia pélvica ou terapia sexual disponível?”

Onde a liberdade floresce: um convite à plenitude

A sexualidade, em sua rica e vasta dimensão, é um direito e uma fonte inesgotável de bem-estar que nos acompanha por toda a vida. Para as pessoas em maturidade, ela é um convite vibrante à redescoberta, à intimidade e à celebração de si. Despir-se dos mitos e preconceitos é abrir espaço para a alegria, para o carinho, para a autoaceitação e para a conexão humana em suas mais diversas e prazerosas formas.

Não se deixe limitar por expectativas alheias ou por um silêncio imposto. A sexualidade na maturidade é um poderoso motor de autoestima, um elixir para o humor e um elo fundamental para a saúde emocional. É a liberdade de expressar afeto, de buscar o prazer, de viver a intimidade e de fortalecer laços, seja com um parceiro ou na redescoberta do próprio corpo e seus desejos.

Você tem o direito de amar, desejar e ser desejado(a). Você tem o poder de buscar informação, de conversar abertamente com profissionais de saúde e de construir relacionamentos que te tragam felicidade e completude. Que a maturidade seja um tempo de plenitude, de risadas, de toques e de uma sexualidade vivida com a paixão, a sabedoria e a liberdade que você merece. Viva essa fase com toda a intensidade e verdade que ela pode oferecer!

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