
A doença de Alzheimer é um problema que está crescendo no mundo todo. Ela afeta a memória (a capacidade de lembrar das coisas), o pensamento (como a gente raciocina e resolve problemas) e o comportamento (como a gente age). Não existe uma cura definitiva para ela, mas a ciência tem mostrado que o que a gente come (a nutrição) é muito importante para atrasar a doença e ajudar a pessoa a ter uma vida melhor.
Estudos mostram que certos tipos de alimentação e coisas específicas que estão nos alimentos podem fazer bem para a saúde do nosso cérebro (a parte que comanda tudo no nosso corpo). Por exemplo, a dieta mediterrânea – que é um jeito de comer típico de países como a Grécia e a Itália – é muito boa. Ela é cheia de frutas, verduras, grãos que não foram muito processados (como arroz integral), azeite de oliva e peixes. Essa dieta ajuda a diminuir a inflamação (como se o corpo estivesse “irritado” por dentro) e o estresse oxidativo (que é um tipo de “ferrugem” que acontece nas nossas células), que são coisas ligadas ao aparecimento do Alzheimer. Uma pesquisa de 2009, por exemplo, já falava como é importante ter nutrientes como a vitamina E, mesmo notando que muitos idosos não comiam o suficiente dela.
Alguns nutrientes são super importantes:
- As vitaminas do complexo B (como B6, B9 – que é o ácido fólico – e B12) são importantes porque elas ajudam a baixar os níveis de homocisteína. Lembra da homocisteína? É aquele “pozinho” que, se estiver em excesso, pode “arranhar” os vasos sanguíneos e, nesse caso, está ligado a problemas na capacidade de pensar e lembrar.
- A vitamina E é um antioxidante poderoso, ou seja, ela é como um “escudo” que protege os neurônios (as células do nosso cérebro) de serem danificados.
- Os polifenóis, que a gente encontra em alimentos como chá verde e frutas vermelhas, também ajudam a desinflamar o corpo.
- O ômega-3, que está em peixes como salmão e sardinha, parece ajudar a diminuir as citocinas inflamatórias (que são substâncias que causam inflamação) e a proteger o cérebro.
Além de ajudar a prevenir, a alimentação também ajuda a cuidar da doença quando ela já existe.
- A curcumina, que é a parte principal da cúrcuma (um tempero amarelo), também tem efeitos que ajudam a desinflamar e a proteger as células. Dá para usar esse tempero na comida!
- A dieta cetogênica é um tipo de alimentação que tem pouquíssimos carboidratos (como pão, arroz, macarrão) e muitas gorduras saudáveis. Ela está sendo estudada porque pode fazer o cérebro usar corpos cetônicos (que são como um “combustível” diferente) como energia. Isso pode ajudar a compensar um problema que o cérebro de quem tem Alzheimer tem para usar a energia normal.
A saúde do intestino também é muito importante. Existe uma ligação entre as bactérias que vivem no nosso intestino (a microbiota intestinal) e o nosso cérebro. Estudos sugerem que se essas bactérias estiverem em desequilíbrio, isso pode piorar a inflamação e o acúmulo de placas beta-amiloide (que são como “lixos” que se juntam no cérebro de quem tem Alzheimer). Comer prebióticos e probióticos – que são encontrados em fibras e alimentos fermentados como iogurte natural e kefir – pode ajudar a manter as bactérias do intestino saudáveis, o que faz bem para o cérebro.
Para quem já tem Alzheimer, é muito importante que um profissional faça uma avaliação da alimentação de cada pessoa. Assim, dá para descobrir se falta algum nutriente e quais são as necessidades específicas. Em alguns casos, o médico ou nutricionista pode recomendar tomar suplementos de vitaminas (como vitamina D, ômega-3 e vitaminas do complexo B), mas sempre com a orientação de um profissional de saúde qualificado, como um nutricionista.
Para resumir, a alimentação é uma ferramenta muito poderosa para cuidar de quem tem Alzheimer. Uma dieta equilibrada, cheia de nutrientes que protegem o corpo, que ajuda a desinflamar e que cuida do intestino, pode ajudar muito a atrasar a doença, a melhorar a capacidade de pensar e a ter uma vida melhor no geral. É fundamental que os pacientes e quem cuida deles recebam a orientação certa sobre alimentação para usar as melhores estratégias e ter a melhor qualidade de vida possível.
Equipe de Nutrição da DRª Maria Annapurna Almeida